Nunca imaginei que falaria isto sobre um evento que eu amava, mas a Flipop 2022 me deixou um pouco decepcionada.
Começou com a questão de não falarem sobre os valores dos ingressos previamente e os preços se tornarem públicos somente no dia que iniciou a venda, já no site para fazer a compra. Não lembro como foi isso nos anos anteriores, mas, para mim, foi um ponto negativo porque não faz sentido manter isso em segredo.
Comprei o ingresso que dava direito ao festival completo porque sempre fui em todos os dias das outras edições. Não demorou muito para eu me arrepender dessa decisão.
O evento começou no dia 09 de setembro, sexta-feira, porém as regras das sessões de autógrafos com as autoras estrangeiras só foram divulgadas na quinta-feira. Sim, um dia antes de começar. Não eram regras básicas que poderiam ser passadas em cima da hora assim, eram informações importantes que deveriam ter sido avisadas muito antes. A surpresa era que teria um limite de dois livros por autora (o que eu entendo) e que só participaria quem tivesse o último lançamento de cada autora (o que acho impossível defender). Estamos falando de um evento pago, então não consigo achar que está tudo bem exigirem que o autógrafo seja em livro x ou y, tirando a minha opção de escolha. Não estava nos meus planos financeiros comprar Família de mentirosos agora, mas não tive como evitar isso.
Foi uma mistura de estresse e chateação tão grande que eu não queria mais ir, tanto que não fui no primeiro dia. Foi a presença da E. Lockhart que me fez respirar fundo e ir no final de semana, porque eu teria desistido de participar do evento se fosse qualquer outra autora.
A Flipop é um festival de literatura pop focado (não exclusivamente) em literatura jovem adulta criado pela Editora Seguinte em 2017.
Fui nas edições presenciais (2017, 2018 e 2019) e participei da on-line de 2020, então, contando com a de 2022, são cinco das seis que já foram feitas. A desse ano foi a primeira a me dar sentimentos conflituosos, mais negativos do que positivos.
Outra surpresa que a editora guardou até poucas horas antes do evento foi a fila on-line para os autógrafos das autoras estrangeiras. Usaram um site para distribuir as senhas, de modo que foi necessário fazer “uma reserva” com antecedência dado que a quantidade de senhas era limitada. Foi uma forma de organizar e garantir que ninguém precisasse ficar em filas durante horas, ficando livre para fazer outras coisas enquanto não recebesse a mensagem avisando para ir para a área dos autógrafos. Por isso, não foi algo desagradável, porém era outro tópico que deveria ter sido divulgado antes. Dei sorte de ver os tweets falando sobre isso logo que foram postados e consegui senhas que garantiram que eu conhecesse ambas as autoras antes das dezoito horas, sendo que as sessões começaram quinze para às dezesseis. Isso foi ótimo porque minha ansiedade não aguentaria esperar durante muito tempo.
O único ponto que não critico é a localização do Centro Cultural São Paulo, que é onde aconteceu o evento. Sempre vou achar maravilhoso o fato de sair da estação do metrô e já estar na rampa que dá acesso ao lugar. Mas ainda acho desconfortável ter que andar desviando do povo que vai lá para ensaiar danças.
Calculei mal meu tempo de trajeto e acabei chegando um pouco depois do Bate-papo com E. Lockhart começar. Para completar, minha credencial foi impressa com erro porque misturaram os dados que passei no momento da compra do ingresso e colocaram minha @ do Twitter como se fosse a do Instagram. Não demorou muito para arrumar, mas mesmo assim acabei perdendo os quinze primeiros minutos da conversa.
Tal como nos outros anos em que foi presencial, a credencial da Flipop 2022 veio com um kit de brindes dentro de uma ecobag. Amo brindes, adorei o copo que veio junto (é o menor), mas fiquei levemente ofendida quando descobri que algumas bags tinham mangás dentro e outras, não. Claro que achei ruim não ter ganhado mangá, por isso fica aqui a minha reclamação. Se é para dar brindes para quem comprou ingresso então que seja o mesmo para todo mundo.
Ainda nesse tema, quase fiquei sem o brinde que acompanhava as compras na banquinha da Seguinte. Comprei três livros e durante o pagamento perguntei se algum deles viria com marcador de página ou brindes e a resposta foi não. Como eu queria ver todas as banquinhas da feira, continuei andando pela área até que lembrei da existência de um tweet da editora que falava “compre dois livros ou mais e ganhe um copo”. Voltei para questionar sobre isso, mas o brinde já tinha esgotado. Fiz a cliente “chata” e pedi para verificarem se tinha acabado mesmo porque eu realmente queria o copo ou, no mínimo, algo equivalente. No fim, me deram um copo de outro modelo e alguns marcadores de páginas.
Gosto de bate-papos com autores pois amo ouvir sobre as experiências deles e com a E. Lockhart não foi diferente.
É muito interessante descobrir como funciona o processo de criação de cada autor. A Lockhart contou que participou de uma única classe de escrita criativa porque foi tão horrível que ela até chorou. Não só o método de ensino era ruim, como o professor ainda teve a coragem de falar para ela que nem precisava ler o que ela escreveu para saber que ela era uma aluna nota B. Eu imagino a reação desse professor babaca ao descobrir que hoje ela é uma autora mundialmente publicada.
Gostei de saber que Fraude Legítima é o livro que ela mais gostou de escrever por ser esquematizado com a passagem de tempo da história acontecendo ao contrário, do fim para o começo. E que a protagonista favorita dela é a Frankie (O Histórico infame de Frankie Landau-Banks).
Tanto a autora, quanto a tradutora falaram muito rápido quando o mediador perguntou quais histórias ou autores a Emily gostaria de indicar, motivo pelo qual não consegui anotar nenhum nome para compartilhar aqui.
Para mim, o único problema foi o final com as perguntas do público. Achei que se arrastou demais, parecia que nunca ia acabar, e fiquei com impressão de que foram várias perguntas repetidas.
Preparei mentalmente tudo que queria falar para a Emily e era muita coisa porque eu precisava contar para ela a minha experiência lendo Mentirosos. Eu estava um pouco nervosa dado que não sabia se conseguiria fazer um discurso gigante em inglês, então primeiro expliquei isso para ela. Ela foi tão receptiva que, quando percebi, eu já estava super animada falando sem parar. Me empolguei? Demais! Foi muito divertido compartilhar com a autora o que senti e pensei enquanto lia o livro dela. Conhecer a Lockhart foi a realização de um sonho e o fato dela ser maravilhosa deixou tudo ainda mais perfeito.
Eu não tinha percebido que sentia tanta falta desse contato com autores. Não consegui conversar com Xiran Jay Zhao durante a Bienal por estar muito cansada e não sei coreano, o que me impediu de falar com a A1 no Anime Friends. Então a E. Lockhart foi a primeira autora com quem realmente conversei após a retomada dos eventos presenciais e me faltam palavras para descrever a felicidade que senti.
A moça da organização que estava auxiliando com as fotos também foi um amor. Ela tirou várias fotos em vários ângulos (todas perfeitas) e gravou um vídeo onde minha empolgação ficou evidente (quem acompanhou pelo meu Instagram sabe o tanto que já ri com isso). Além disso, ela me elogiou quando devolveu meu celular, disse que eu conversei muito bem com a autora.
Ainda não li os livros da Casey, mas não ia perder a oportunidade de conhecê-la. Ela elogiou meu cabelo assim que falei oi, o que fez ela ganhar um espaço especial no meu coração. Dá para ver pelas minhas mãos nas fotos que eu estava muito empolgada nesse dia e a Casey não escapou disso. Ela foi muito receptiva, assim como a Emily, por isso me senti confortável para conversar sem me preocupar com cada palavra falada, sem desespero para falar um inglês perfeito.
A Flipop 2022 vai carregar o marco de ter sido a primeira vez que me senti realmente confiante falando em inglês com pessoas que têm o idioma como língua materna. Eu só fui falando, sem me incomodar se erraria, e isso foi maravilhoso.
Quase desisti de ir no domingo por causa de tudo que aconteceu antes da Flipop 2022 começar. Felizmente, não cometi esse erro e usei meus direitos de aproveitar ao máximo o ingresso comprado.
Assistir o painel com a Casey na Flipop 2020 (on-line) criou a expectativa de que o deste ano fosse igualmente bom. Fico feliz em dizer que não me decepcionei, amei ouvi-la falando sobre livros outra vez.
Quando perguntaram sobre a adaptação de Vermelho, Branco e Sangue Azul, ela disse que tem algumas cenas que quer ver no filme, como a do museu e o primeiro beijo embaixo da árvore.
Apesar de saber que os leitores queriam detalhes sobre o filme, ela não podia falar muito sobre esse assunto. Porém deu um spoilerzinho sobre os próximos trabalhos dela: terá uma personagem não-binário no próximo livro.
Ela também disse que gosta da ideia de fazer livros interconectados, como um spin-off, onde um personagem secundário vira protagonista, mas que não tem planos para séries contínuas. Como uma pessoa que está cansada de séries enormes que nunca acabam, eu amo o fato das histórias da Casey serem livros únicos.
Gostei que ela deu uma dica que pode parecer bastante óbvia, mas que acredito que muitas pessoas esquecem. Ela falou para autores que estão no começo da carreira aproveitarem esse momento onde a escrita é somente do autor, onde não existem prazos ou cobranças.
Eis o que salvou toda a minha experiência com a Flipop 2022. Eu ri demais das preciosidades que escutei dos autores que participaram dessa mesa.
Cada autor levou um texto antigo para ler e isso gerou um daqueles momentos “só quem viveu, sabe”.
Eu não estava preparada para ouvir a Ray Tavares lendo o começo de Gossip Boys, uma fanfic de McFly que ela escreveu quando era adolescente. Ela fazendo piada sobre ter ofendido a minoria líderes de torcida me faz gargalhar só de lembrar.
A imagem da Iris rindo enquanto mostrava o caderno da Nia ficou gravada na minha cabeça. É impossível ver as fotos do momento e não dar risada. Também não tem como esquecer ela lendo o primeiro conto publicado dela ao mesmo tempo que fazia autocríticas e ria sem parar.
Deixar essa mesa por último foi brilhante e acertaram ainda mais por finalizar com a música da Lu. A letra era uma fanfic de Crepúsculo, algo que nunca imaginei que pudesse existir e nem que eu sairia de lá cantarolando depois de chorar de tanto rir.
Tem muito o que melhorar para as próximas edições. A editora Seguinte precisa rever alguns pontos que não funcionaram, entender que não dá para compartilhar informações em cima da hora e muito menos sumir quando as mesmas forem mal recebidas. O mínimo é dar uma explicação, não adianta ignorar os leitores, evitando todos os questionamentos feitos.
A Flipop 2022 teve seus bons momentos e, no geral, não me arrependo de ter ido, mas com certeza não vou na próxima edição se a organização mantiver o mesmo nível desse ano.
8 de novembro 2022, às 10:07
Oi, Ellen!
Eu fui em duas edições presenciais da Flipop, mas achei a desse ano muito cara. Acabei não indo. eu sei que a organização dá o melhor, mas isso de informar tudo em cima da hora também me deixou irritada. Se eu soubesse que seria mais caro com antecedência, talvez tivesse conseguido ir.
Eu espero que no ano que vem seja melhor.
Adorei a sua descrição dos encontros com as autoras. É muito legal ver pessoas sendo gentis.
Um beijo,
Fê
14 de novembro 2022, às 6:15
Mesmo me planejando, eu acabei tendo gastos inesperados com o evento, sendo que isso poderia ter sido evitado se eles tivessem avisado tudo com antecedência. Acho que faltou os organizadores levarem em consideração que nem todo mundo pode ter gastos “surpresa” assim.
Também torço para ano que vem ser diferente!
Obrigada por comentar ♡ Beijos