Resenha: Renascença – Oliver Bowden

por em 19 de agosto, 2017 Comente


Ficha técnica: Renascença
Oliver Bowden
Editora Galera Record
378 Páginas

Sinopse: Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

Baseado na série de jogos “Assassin’s Creed”, o livro conta a história de Ezio Auditore, um adolescente florentino comum que, como qualquer outro, se metia em brigas, confusões por causa de mulheres e bebidas e se divertia com o irmão mais velho, até que uma desgraça cai sobre sua família. Acusados de traição por pessoas que antes eram considerados amigos, os Auditores perdem tudo e Ezio vê seu pai e irmãos serem condenados a morte injustamente e sua mãe e irmã se tornarem refugiadas.
E assim começa a nova vida desse jovem: ele se vê sendo introduzido aos ensinamentos de um Assassino. E não se trata de qualquer aprendizado, esse é um legado que vai fazer toda diferença na caminhada dele.
Ao longo do caminho, ele encontra muitos aliados, pessoas que o ajudam e que sempre possuem algo para lhe ensinar. Mas ele também encontra mais inimigos e, o que antes era uma vingança pelo que aconteceu aos seus parentes, vai tomando proporções muito maiores.
Tendo como cenário a Itália Renascentista (um dos períodos que eu mais gosto), acompanhamos uma história cheia de ação, lutas, conspirações, amores e vingança.

Quando procurei saber mais sobre “Renascença” (livro e jogo), achei algumas coisas onde as pessoas disseram que o livro é basicamente todas as falas mais uma descrição das cenas do jogo e essa informação procede de certa forma: eu nunca joguei, mas perguntei para o meu primo e ele disse que é isso mesmo, ou seja, as falas que aparecem no jogo foram colocadas no livro e as cenas descritas são as que você joga, mas tem um adicional de detalhes. Para mim, isso não foi um incomodo, porém pode ser que não cative outras pessoas.

O Ezio é um personagem carismático e, na maior parte do tempo, ele até parece ser uma pessoa real, tanto que eu achei ok o desejo de vingança dele, mas mesmo a pessoa mais dedicada não teria um aprendizado tão rápido (e por “rápido” quero dizer “pisquei entre um parágrafo e outro e ele já sabe tudo”). Também não simpatizei muito da interação dele com os outros personagens, porém gostei da forma que ele se desenvolve no decorrer do livro e o quanto isso se dá pela ajuda que ele recebe. Trata-se de alguém que é bem imaturo no começo, do tipo “só arrumo confusões e sou feliz assim”, mas ele cresce e amadurece muito, as atitudes dele perdem o teor mesquinho sem perder a ideia de vingança.

As pessoas que vão ajudando ele conforme o decorrer da história são uma das melhores partes porque cada um aparece de um jeito diferente e inusitado, das formas mais variadas, e cada um realmente tem algo novo para ensinar.
E todas as armas que o Ezio usa também são um dos pontos alto e foram tão perfeitamente passadas para a escrita que descrição delas é exatamente como se vê na imagem da capa.

A estrutura do livro é boa, tem muitas cenas de ação e lutas que, definitivamente, foram bem elaboradas, tem a quantidade certa de descrições, as cenas de missões do Ezio têm sempre o foco no lugar certo e, mesmo que em baixo teor, tem um bom romance.
O legal é que há um forte paralelo com a realidade, outro ponto bem positivo, que se dá com os personagens que são pessoas reais, como Leonardo da Vinci, Nicolau di Bernardo Maquiavel e Lorenzo de Médici e o tempo em que a história ocorre, o renascimento.

Mas se tem duas coisas que me agradaram mesmo foram: 1- a lista que tem no final do livro com os nomes dos personagens e uma simples descrição de quem eles eram e 2- o glossário com os termos em italiano e latim que foram usados.

Em alguns momentos, eu fiquei com a sensação de que eu estava jogando e não lendo! Isso foi outra coisa boa porque não foi forçado, fluiu bem. Por exemplo, tem uma cena em que o Ezio precisa pular do telhado de um edifício e ele arquiteta a queda de forma que ele possa cair em um monte de feno que tem em uma rua e existe exatamente a mesma cena no jogo, então foi como se eu estivesse mirando o lugar onde ele iria cair conforme eu lia.

E o que mais me desagradou foi a passagem de tempo dentro da história, achei isso muito confuso. O livro começa com um Ezio de dezessete anos, termina com um de quarenta e quatro e eu fiquei com a impressão de que tem uns buracos enormes e sem sentido na história quando o assunto é linha do tempo, algumas vezes até tive que voltar algumas páginas para poder me situar e/ou contar quando tempo passou e que ano estava sendo retratado.

Se o livro é previsível? Uns 80% da história, sim, é, mas mesmo sendo uma escrita superficial sempre tinha alguma coisa, um detalhe, que me deixava com vontade de ler mais sobre aquilo.

Avaliação: 4.0 estrelas

Ellen Silva
Amo animes, mangás, livros e procrastinar.
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