Eu já contei aqui antes como comecei a ler livros, no post Como Ler Agatha Christie: Um Guia Impreciso e Que Não Necessariamente Deve Ser Seguido. Por muito tempo encarei aquele Harry Potter e a Câmara Secreta como uma porta de entrada para um mundo inteiramente novo para mim, de viagens sem sair de casa e sentimentos que nunca tinha sentido antes. Todos nós temos esse livro, não é mesmo? Aquele que, ao abrir, você sabe que algo alterou em você e que, muito provavelmente, não vai querer desgrudar dele e dos próximos. É assim que você sabe que se tornou um leitor.
Quando planejei escrever esse post, especificamente para hoje, 23 de abril, Dia Mundial do Livro, pensei em fazer uma lista de séries que tocaram a vida de muitos adolescentes e abriu os olhos de novos leitores, como Percy Jackson e Crepúsculo. Mas a literatura é muito mais do que isso e pode ser capaz de transformar vidas muito antes. Por isso, levando também em consideração o Dia Nacional do Livro Infantil, que foi no último dia 18, essa lista será um pouco diferente.
Algumas crianças, é claro, gostam de ler desde sempre e nem têm memória de seus primeiros livros. Achando que Harry Potter havia sido minha primeira “leitura de verdade”, demorei a perceber todas as histórias que passaram pela minha vida antes disso. A Natália leitora foi formada por todos os gibis da Turma da Mônica que ganhou, pelos livros de sete páginas de contos de fada que custavam R$0,99 e por um 365 Histórias Para Dormir, que a pequena Natália ficava bem triste quando a mãe não lia todos os dias, como se estivesse quebrando alguma regra não dita do livro.
Vários estudos declaram que a literatura é fundamental na formação do indivíduo, e que o hábito da leitura desperta nas crianças o senso crítico, além de auxiliar na aprendizagem. É por isso que a lista a seguir é para você que quer inserir um pouquinho do incrível mundo da literatura na vida de uma criança.
Até mesmo bebês podem ganhar livros como presentes. Para essa idade há diversos livros sensoriais, desde livros de plástico para o banho até os feitos de tecido. Os com textura e sons são uma ótima ideia para bebês que começaram sua fase de exploração. Para aqueles um pouquinho maiores, os livros interativos já podem gerar interesse, aqueles com dedoches e janelinhas. Há muitos livros que explicam conceitos simples e básicos, como cores, opostos e números.
Para essa fase, as crianças já conseguem ouvir histórias mais longas. É importante que livros com letras garrafais sejam dados de presentes, porque essas crianças estão começando a aprender o alfabeto e até mesmo junção de sílabas e leitura de pequenas palavras. Os livros da autora brasileira Silvana Rando são ótimos para essas idades, com destaque para Gildo que, além de possuir todo o corpo do texto em letras maiúsculas, trata de um assunto que é muito presente em várias fases da vida: o medo infundado.
Não posso deixar de indicar também um livro que me apaixonei e gostei mais do que minha irmã, que o ganhou quando tinha um pouco mais de três anos: O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado. Apesar do imenso título, a história é curta, quebrando a quarta parede ao interagir com o leitor e falar sobre divisão.
A indicação aqui é para livros curtos e com assuntos mais abrangentes. Nestas idades já é possível identificar preferências pessoais na criança e não aquelas impostas pelos pais. Dessa forma, pode ser um livro informativo sobre dinossauros, espaço, ciências, arte… A criança vai se interessar facilmente por um livro que seja de um assunto que ela já gosta.
Quanto à parte literária em si, uma autora brasileira que possui muitos livros ótimos para essas idades é a Ruth Rocha. Quem não gosta do Marcelo, Marmelo, Martelo? Sempre acho válida a exploração de temas “difíceis” em livros infanto-juvenis. Pois são métodos fáceis e lúdicos para explicar coisas que mesmo adultos têm muita dificuldade, como o luto e a depressão. Meus favoritos são A Ilha do Vovô e O Vazio.
Essas dicas são válidas para crianças mais novas, desde que as dificuldades de leitura e capacidade de concentração delas sejam levadas em consideração.
Aqui as indicações divergem muito. O principal ao presentear uma crianças nessas idades é saber se ela já se interessa pela leitura ou mesmo se tem facilidade para ler. Caso não, os indicados para a faixa etária 6-8 anos podem ser igualmente aplicados aqui.
Caso sim, as opções são imensas e variadas. Uma série muito popular é A Casa na Árvore com 13 Andares, cujas sequências vão aumentando a casa em mais 13 andares. Mesclando ilustrações e texto corrido, é uma ótima maneira para migrar uma criança que lê muitos quadrinhos ou mesmo que adora livros com muitas ilustrações para livros em prosa. Autores brasileiros têm grande destaque para essas idades, como Monteiro Lobato, Pedro Bandeira e José Mauro de Vasconcelos, autor de um dos meus favoritos: O Meu Pé de Laranja Lima. Qualquer livro da famosa Coleção Vaga-Lume também é cabível aqui.
Por fim, presente no país desde 1959, os gibis da Turma da Mônica fizeram parte da infância da grande maioria das crianças, ajudando no início da alfabetização e gerando muito interesse em leitura. A turma e a história dispensam apresentações. A Mauricio de Sousa Produções se reinventa sempre e consegue prender a atenção de públicos de diversas idades. Hoje, na parte de literatura, além dos queridos gibis, a marca possui Graphic Novels e mangás com a turma adolescente. Destaque para a trilogia dos irmãos Cafaggi (foto acima), que possui uma linda e incrível adaptação cinematográfica.